Jorge, sou eu.
Jorge, tá me ouvindo?
Jorge, sou eu: a mulher solitária. Emaranhada em silêncio na própria desgraça.
Jorge, me tira esses pensamentos sórdidos. Ando pensando em coisas horrendas antes de dormir, um escândalo a pele arrepiada por criações sexuais e sexo molhado pelas próprias mãos, Jorge eu rezo a cada gozo e minhas pernas meus braços meus olhos tremem minhas mãos alcançam o terço, Jorge e aí eu peço desculpas pelos pecados cometidos em tão poucos minutos de carne pai-nosso ave-maria tantos quantos minhas contrações uterinas.
Sussurra sua barba mal-feita na minha cara virgem de beijos cheiro de alfazema. Me faz desabrochar, Jorge. Abre as minhas pernas com força bruta e me dá um nome de flor pra lembrar primavera colorida. Me faz sucumbir, me arranca os pedaços dessa culpa pelo prazer. Enfia sua língua áspera na minha boca e me faz derramar no púlpito toda a minha devassidão natural me faz subverter o crucifixo pregado na parede, Jorge.
Me suja a mácula branca que carrego embaixo das saias compridas, saliva fluidos teu sexo endurecido ocupando a minha boca de antes palavras santas agora engolindo suspiros em jatos embrutecidos de seu corpo. Me rasga inteira, Jorge me toma nos braços suados os pêlos do corpo de ambos os seus enroscados à minha fome de tudo.
Me faz sentir carne, Jorge.
Me coloca mulher diante do mundo.
Jorge.
13/11/09
TCHAU PRA SEMPRE DOIS MIL E NOVE.
3 dias atrás
1 comentários:
Fodástico.
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