23/08/10

dos últimos sábados

Era o sorriso dela que predizia em mim uma loucura casta. Mas diria de um sentir-primeira-vista, que te vi na noite da semana anterior e nada senti, tamanhos problemas envoltos, tamanha cegueira por outros olhares. Mas não tão intensos quanto os seus, não tão revoltos nessa harmonia Duchamp.

Mas é o sorriso dela que surte em mim essa calma. Temo por ficar assim, calada em sofreguidão. Anuncio, aos poucos, dentro e fora de mim, dizeres muitos de um começo arder: ardem meus olhos, minha falta de sono, ausência de fome; mas ardem também as palmas das minhas mãos, que não te podem tocar; e arde a minha memória, gasta de tanto tentar-lembrar as feições que me rasgam o assunto em verso.


(ao recomeço das linhas)

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