Se me tiram essa tristeza, o que resta? O que é que vem depois disso? Pra onde vamos... À direita, à esquerda, tanto faz o caminho: a vida sempre vai carregar esse gosto de sangue vermelho-metálico. No fim, é mesmo o que ela quer: sangue. O meu, o seu. Sem isso aí, não há sustento. Os perigos são muitos: DSTs, gravidez, alcoolismo, sensacionalismo, televisão aos domingos, festas de família, casamentos de amigos, o seu próprio fim. Fico pensando se há mesmo coisas que salvar nesse mundo, que depois da tristeza, daquele fundo de poço atingido, a gente percebe que só estamos aqui, ainda, por pura falta de coragem. E, já que é tudo tão difícil, por que não explodir, simplesmente? Pra quê esse discurso todo, essas bobagens de mesa de boteco... No fim, a gente não sabe de nada, não conhece nada, não evolui nada. NADA! Nossa cabeça é uma Wikipédia de mentiras e tudo o que fazemos só é feito pelo nosso próprio bem. Então, pra quê falar de altruísmo, ajuda mútua, caridade, amor...? Qual é a de vocês, porra? Vocês, com maneirismos afoitos, com gestos contidos, com gosto de sangue, querendo morrer de amor. Qual é a sua? Com essa cara de ontem, baladas estranhas pessoas bebendo, você na calçada, cigarro na mão (esquerda), tentando segurar o que resta de um pedaço de pizza mal digerido. É tudo muito indigesto nesse mundo. Livre-se desse asco, liberte as suas mãos pra outro tipo de história: é tudo falso, é tudo falso.
2 comentários:
Que tipo de história se tudo é falso? Ou procuramos a salvação nos céus ou... não há motivo. Um bando de covardes, isso sim somos.
menina, poeta.
não sei o que dizer...
mas suas palavras me tocaram de um jeito profundo...
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